FIV #1 – O caminho até começar

Como já tinha dito, detetaram-me um problema hormonal aos 17 anos – Síndrome de Kallmann!
Fui logo avisada que para ser mãe biológica teria de ter apoio médico.
Começámos por nos informar na nossa zona, com uma endocrinologista que também dá consultas em Coimbra.
Após algumas consultas e estudo genético realizado, mandou-nos para uma colega, no edifício S. Gerónimo em Coimbra – O centro de reprodução humana.
Tinha as datas todas apontadas, confesso que os exames que foram necessários realizar x dias após a chegada do Mr Red, não tenho bem bem a certeza de quantos dias se tratou. Mas ficam as datas em que fomos tendo consultas e exames para que possam ter alguma noção do tempo que demorámos. Sinceramente, temia que todo o processo fosse mais demorado, uma vez que estamos a começar pelas tentativas no público.

A nossa primeira consulta foi dia 10 de fevereiroconsulta de esterilidade. A Dtra estava muito otimista e falou-nos das 3 formas de reprodução medicamente assistida:

1. Estimulação ovárica e relações sexuais programadas;

2. Inseminação Artificial;

3. FIV – Fecundação In Vitro.

De seguida, realizei o “papanicolau“.

 

Dia 11 de fevereiro – consulta de genética (obrigatória aquando da marcação da consulta de esterlidade), onde nos falaram de cromossomas e genes… Nós falámos da nossa família (número de irmãos, tios, primos- mais eu por ser a portadora do problema) e onde também nos perguntaram se tínhamos algum grau de parentesco – o que não abanoria a nosso favor. Mas graças a Deus o nosso único parentesco (até à data) é o amor que temos um pelo outro e a nossa união de facto. Falaram-nos ainda de probabilidades: de um filho nosso poder ter o mesmo síndrome que eu, do que se poderia passar para termos filhos, etc.

 

Na primeira consulta, agendámos um raio x ao útero (também conhecido como histerossalpingografia), ecografia endovaginal e espermograma (até agora, o único exame dele, tirando análises sanguíneas de rastreio a HIV, Hepatites e assim).

 

Dia 26 de fevereiro – raio x ao útero ou histerossalpingografia (entre o 6º e o 12º dia do ciclo se não me engano). Onde só podemos comer até 1 hora antes de realizar o exame. Testa a permeabilidade das trompas – Inicialmente é um raio-x normal – Posição ginecológica (nome correto ou não é o que eu dou – uma mulher deitada na maca, com uma perna para cada lado) e se olharmos para o ecrã podemos ver o nosso corpo “por dentro”. De seguida, injetam o contraste e aí é que já não é tão agradável. Confesso que me deu algumas dores, mas já ouvi dizer que há mulheres a quem não dói absolutamente nada. No final, o contraste sai como se fosse um pouco de sangue, nada de especial. Mas, por sair o constraste é que não foi possível marcar a ecografia endovaginal para o mesmo dia.

 

Dia 28 de fevereiro – ecografia endovaginal para medição de orgãos reprodutores e espermograma por rotina. Depois das dores do raio x uterino, achei por bem andar na net a pesquisar sobre a ecografia endovaginal. Conclusão: Ia um pouco assustada (não muito, porque tinha lido que o raio x uterino era dos piores exames e esse já estava feito). Mas o que é certo é que, no final, não custou absolutamente nada.

 

Dia 10 de março – análises hormonais alguns dias após a chegada do Mr Red (12 dias se não estou em erro), logo pela manhã, em jejum.

 

Dia 31 de março – de volta à consulta de esterilidade para saber todos os resultados. A Dtra informou-nos que estava tudo “normal” atendendo ao meu Síndrome e que, naturalmente, teríamos de fazer FIV e iria levar o nosso caso a reunião, com a direção do hospital, para saber quando começaríamos. Olhou para a ficha e acrescentou “Ah! Ainda é nova, só tem 24 anos”.

Saímos da consulta um pouco atordoados. “Naturalmente será FIV? Mas na primeira consulta era só positivismo, três formas de tentar e agora, afinal, começamos pela última possibilidade?! E, a Dtra disse que sou novinha, será que isso quer dizer que vamos ficar para o fim da lista? Que não vamos ser logo aprovados?”

 

Mas pronto, conversámos sobre o assunto e ambos tínhamos compreendido o mesmo – Íamos, de facto, começar pela FIV – Porque, apesar de tudo “normal para o meu Síndrome” os valores das análises sanguíneas, mais especificamente FSH, LH e Estradiol estavam extremamente baixos. Só não sabíamos quando e, pela afirmação de eu ser nova pensámos que iria demorar no mínimo uns 6 meses (felizmente estávamos enganados). Mas já lá vamos às datas certas…

 

Dia 09 de abril nova ecografia endovaginal, desta vez para contagem de folículos e cateterismo uterino para me tirarem medidas. Ou seja, quando chegar o momento de colocar o embrião no meu útero, será através de um catéter, por isso é necessário saber qual a espessura a utilizar. Lá voltei eu para a internet, ler e ver imagens. No dia, chego lá, o cateter é um tubinho super fininho, que mal se sente e não dói absolutamente nada.

 

Dia 5 de maio – Consulta não presencial. A Dtra marca um tempo para ela (sozinha) analisar os resultados para levar o caso a reunião. Ligámos para lá nessa tarde e… Tarde demais. Devíamos ter ligado à hora da consulta. Não o fizemos porque não tínhamos a certeza que se cumprissem os horários. Uma vez que era não presencial, a Dtra poderia ver os exames quando tivesse tempo, independentemente das horas. Afinal enganámo-nos mas é o que acontece quando ainda se esta no início…

Fomos ligando várias vezes para lá e a senhora da secretaria não tinha informações para nós.

Um dia, reparou que tínhamos algo marcado para dia 3 de junho. Pensámos que seria o dia da reunião para aprovação do nosso caso.

Mas, dia 26 de maio toca o telemóvel. Era a Dtra. Tínhamos sido aprovados e teríamos a primeira consulta sobre FIV dia 3 de junho.

 

Por fim (até agora) dia 3 de junho – 1º consulta com outro Dtr – Fomos aprovados e vamos começar a nossa 1ª FIV. Nestas consultas, o normal é a mulher dizer +/- em que dia virá o seu Mr Red, para marcar +/- o dia da consulta (segundo dia de Mr Red) e confirmar na véspera. No meu caso, devido ao meu síndrome, o meu Mr. Red não vem de livre vontade e, uma vez que é tudo regulado por ele, voltei a tomar a pílula. Portanto, fiz as contas necessárias para marcar as datas certas. Fizémos ainda análises sanguíneas os dois (novamente) para despiste de doenças: HIV, Hepatites, etc.

Quanto às datas marcadas, ficou previsto que será assim:

Dia 9 de julho – fim da pílula

Dia 12 de julho- chegada do Mr. Red

 

Dia 14 de julho – Início da FIV e primeira injeção: As enfermeiras vão ajudar-me com a preparação da medicação e ensinar-me a administrá-la. Para repetir todos os dias, em casa, à mesma hora. Esta semana, quarta-feira 2 de julho, vou comprar a medicação e mantê-la no frio até dia 14. Parece que são medicamentos que nem sempre se encontram em stock nas farmácias. Por isso telefonei para a farmácia da minha máxima confiança e já as encomendei. Quarta-feira lá vou eu com a geleira no carro (que ainda tenho 100km pelo meio).

Se tudo continuar a correr bem, talvez dia 22 de julho façamos a punção, que será a retiragem de óvulos (uma pequena cirurgia) e a “doação” por parte do marido. Para os Dtrs cruzarem os nossos genes e gerarem o nosso embrião, que será implantado três dias depois.

 

Ou seja, até dia 14 de julho, em princípio, se o Mr Red não nos pregar nenhuma partida (como ja não tomava a pílula desde fevereiro tenho algum receio que ele apareça mais cedo) são as únicas datas certas que temos.

A partir de dia 14 tudo será uma incógnita, tudo dependerá das consultas de rotina. Poderá correr tudo como previsto. Ou poderá nada correr como previsto. O ciclo de FIV poderá nem chegao ao fim… Só à medida que o tempo for passando, poderei ir contando…

 

Após dia 14 de julho só uma certeza: Vamos estar juntos. Vamos apoiar-nos incondicionalmente um ao outro, desejar e rezar para que tudo corra bem!

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4 thoughts on “FIV #1 – O caminho até começar

    • Boa tarde. Já não lhe sei precisar 😔
      No entanto sei bem que no hospital público é tudo a despachar, quanto mais depressa melhor. Estávamos mais tempo à espera do que a ser atendidos..
      Na privada eram bastante mais atenciosos. Mas claro, no público não pagamos nada e na privada a situação muda (e bastante).

      Gostar

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