A nossa identidade

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Não é fácil dar a cara quando se fala sobre infertilidade. Corremos o risco de receber olhares do género “coitadinhos, não conseguem ter filhos”. Epah não! Não mesmo. E é só por esta razão que me identifico como Smurfina, não revelando a minha verdadeira identidade.
Antes não compreendia o porquê das pessoas não darem a cara. Pensava “têm problemas de infertilidade? Epah é chato mas antes isso do que uma doença grave”. E nunca tive problemas em falar sobre o meu assunto.
Sempre que me perguntavam porque razão não tinha olfato eu respondia sem medo nem vergonha “porque tenho um problema hormonal”. Só nunca respondi “porque tenho Síndrome de Kallmann” porque naturalmente gerava mais perguntas e teria de acabar por dizer que se tratava de um problema hormonal.
E, quando os perguntadores tinham mais descaramento confiança e faziam mais perguntas eu respondia sem qualquer tipo de problema [incluindo perguntas acerca da possibilidade de algum dia vir a ser mãe].
Entretanto, vivendo atualmente numa vila, o assunto é abordado de outra forma. Aqui as pessoas não têm o descaramento de perguntar diretamente. Infelizmente têm apenas o descaramento de falar sobre o assunto para outras pessoas [piorando a situação quando decidem acrescentar pormenores que inventam para tornar a história num drama! Quando de drama nada tem]. E não esquecendo de dizer “mas não digas nada porque eles não querem que se saiba”. Conclusão: toda a gente fica a saber mas ninguém diz nada!
Se pelo menos perguntassem diretamente podíamos explicar a verdadeira situação, sem qualquer drama. Assim é preferível não contar nada!

Além de tudo isto o que interessa um nome e uma fotografia? Com o nome Smurfina escrevo o que me vai na alma. O que realmente sinto. Desabafo!
Com o meu nome verdadeiro não me daria tanto a conhecer. Não gosto de dar parte fraca. Não gosto que saibam quando estou a sofrer. Prefiro sofrer em silêncio ou por detrás de uma identidade fictícia.
Utilizo o nome de um desenho animado para me identificar enquanto mulher que deseja um filho mas tem Síndrome de Kallmann e precisa de FIV para atingir o seu objetivo!

Por isso tive em atenção a questão dos comentários. PODEM COMENTAR À VONTADE! BASTA ESCREVER O COMENTÁRIO E ASSINAR COMO ACHAREM MAIS ADEQUADO

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5 thoughts on “A nossa identidade

  1. Descobri que tinha essa doença aos 16 anos de idade, foi um susto pq tudo que eu sempre quis foi ser mãe e de uma hora pra outra eu descobrir que nao poderia. Tenho vergonha de falar sim que nao vou poder ser mãe, e vou ter vergonha de falar pro meu futuro marido que nao poderei dar um filho a ele. Me sinto escrava de um remédio, que eu tomo e nao vai me dar o meu bem favorito que é um filho.

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    • Não penses assim. Hoje em dia não é certo que não possas ter um filho. Vai procurar ajuda em centros de reprodução medicamente assistida.
      Eu ando a tentar.. Ando a fazer FIV- procura aqui no blog que eu tenho falado bastante sobre o assunto.
      Eu ando a ser seguida no público, com a nossa doença temos uma grande prioridade nas listas de espera.
      Quanto ao teu futuro marido, aconselho-te a contares-lhe tudo o mais cedo possível. Se ele gostar de ti não é por isso que te vai deixar. Se te deixar é porque não gosta realmente de ti. Mas acho que é sempre melhor contar para ele não se sentir enganado…
      Não percas a esperança porque a medicina está em constante evolução 🙂
      E acima de tudo não desistas do teu sonho de ser mãe!

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  2. Não sei porque é que a infertilidade traz tanta vergonha, as traz. Também a senti, e demorei a escrever no blog sobre isso de forma mais aberta. Com o tempo, fui perdendo a vergonha devagarinho… Mas nunca totalmente e não é fácil… Bjs

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    • Pois.. Eu é mais agora por causa de viver numa vila porque antes não tinha problemas com isso.
      Quanto ao blog é que é diferente. Não gosto de dar parte fraca e assim, ‘mascarada’ pela personagem Smurfina, é-me mais fácil escrever sobre os meus verdadeiros sentimentos!
      Beijinho*

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      • Smurfina, longe vai o tempo em que sentia essa dita “vergonha”, mas com o tempo e com a necessidade de falar sobre o assunto, comecei a desabafar sem me importar o que pensariam os outros…e sabes que mais? Aprendi que dessa forma, ao falar, exorcizo os meus medos, angustias e frustrações! Cada qual tem que tentar encontrar a melhor forma de lidar com o assunto! No final o que conta mesmo é que sejamos felizes! Beijinho.

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