Ovodoação

Quando me falaram do assunto fiquei aliviada: uma esperança, o meu corpo não reage mas com óvulos doados vai ser mais fácil.
Depois comecei a pensar, porque isto do dizer ao fazer vai uma grande distância.
E agora, quando penso que se calhar vai ter mesmo de ser [um próximo tratamento só para “esgotar número de tentativas” é fazer o tratamento e esperar que seja interrompido por falta de resposta do corpo] não é assim tão fácil.
Se tiver de ser, será. Mas não é assim tão linear.
É um filho criado na minha barriga, com os genes do meu marido, mas que nunca vou poder dizer que é assim ou assado porque sai à mãe.
Sim, posso dizê-lo no que respeita a atos de convivência e isso é inevitável, as crianças são autênticas “esponjas” do mundo que as rodeia.
Mas nunca vai ser geneticamente idêntico a mim.
Pode ser fisicamente parecido com pai, mas não pode ser parecido com a mãe.
Pode ter os olhos esverdeados da família do pai, mas não pode ter os olhos claros da família da mãe.
Pode ser reservado como o pai, mas não pode ser extrovertido como a mãe.
Pode ser ser tudo e mais alguma coisa que venha do lado paterno da família, mas não pode ser nada que venha do lado materno.
Poder até pode, mas com tudo o que esteja relacionado com a dadora. Com toda a carga genética da dadora.
Se tiver de ser, será, mas não é tão linear como parecia inicialmente.
Ok, quando imaginava adotar, não teria os meus genes na mesma, mas tinha uma história para lhe contar sobre os seus primeiros anos de vida.
Assim, ele vai ter fotos da barriga da mãe, fotos do nascimento, fotos de toda a sua vida, mas a única coisa que terá de mim, será por convivência.
Mas claro, se tiver de ser, será!
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5 thoughts on “Ovodoação

  1. Identifiquei-me com o que escreveste, acho que essas duvidas surgem sempre, mas lembrei-me deste artigo que li:

    Uma equipa de investigadores espanhóis, em Valência, anuncia ter descoberto que as mulheres que engravidam com óvulos de dadora passam material genético ao feto. É uma fantástica descoberta, que não se acreditava ser possível num processo de reprodução medicamente assistida deste género.
    Assim, o bebe vai ter não só material genético dos pais biológicos (da dadora de óvulos e do pai) mas também da mãe que o carrega no útero os nove meses.

    http://cafecanelachocolate.sapo.pt/descoberta-sensacional-252924

    Gostar

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