Reações dos miúdos

Estou mega curiosa com a reação dos miúdos. Aliás, estou cheia de vontade que percebam que a barriga está maior, mesmo que a reação seja sobre ‘estar gorda’.
Os meninos com quem trabalho agora, na escola, foram o primeiro grupo com quem trabalhei, há 2 anos, no jardim de infância. Por estarmos numa vila são crianças que vejo e com quem falo frequentemente [e também com quem estou diariamente devido a ir buscar outros miúdos para as explicações].
São assim um grupinho especial – eram os ‘meus finalistas’ e o grupo dos 4 anos. E todos [ou 95%] ficavam no jardim de infância até bastante tarde [eu ficava até fechar, às 19h e, a maioria deles não ia para casa antes das 18h/18h30].
Mas a minha maior curiosidade prende-se mesmo com o facto de alguns terem irmãos bebés e, por isso, mães que estiveram grávidas há relativamente pouco tempo.. Vamos esperar para ver se há comentários ou se sou eu que falo no assunto por qualquer razão.

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Imagem tirada da net. A minha barriga ainda está bastante mais pequena.

Ontem contei a uma pessoa em frente a duas miúdas das explicações. As reações foram perguntar pelo nome que lhe vamos dar [algo que falarei aqui mais tarde]. Como o nome escolhido para menina é menos comum, uma das miúdas ainda me perguntou:
– Se for uma menina, como é que vai saber escrever o nome na escola?
Até parece que é algum nome esquisito como as filhas da Luciana Abreu.. Mas não, nada a ver 😉 O de menino é mais comum mas maior e, por isso, até será mais difícil de escrever na escola 😛

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Necessidades e objetivos de explicações na escola primária

Aqui na vila havia quem ajudasse os miúdos a fazer os trabalhos de casa.. Pessoas com tempo disponível. Antigamente qualquer pessoa o podia fazer, hoje em dia as matérias mudaram e no 2º ano já começam com frações – sim, “bebés” de 7 anos [porque hoje em dia são bebés até aos 15 ou 20 anos, porque os pais assim os tratam] a dar frações..

Do outro lado temos os pais. Aqueles que não se lembram, os outros que não sabem e, o problema da maioria: não têm tempo para estar com o filho a fazer os trabalhos. Isto não é uma crítica, é uma realidade! Uma mãe que chega a casa às 19h vem cansada porque trabalhou o dia todo, tem de fazer o jantar, dar banho(s) e ainda os trabalhos do(s) filho(s)? Não é fácil! Nem que queira ser boa mãe e passar tempo de qualidade com o filho, não dá porque há trabalhos para fazer..
E porque é que o filho não os fez antes? Porque teve de brincar, ou porque diz que não sabe, que a professora não explicou, entre outras desculpas que eles inventam só para não dizerem “não me apeteceu”.
E porque é que não lhe apeteceu? Porque não esteve com atenção na escola e não sabe o que há-de fazer.. Ou porque ouve a mãe a criticar a professora por mandar TPC e então acha-se coitadinho porque a professora é que é sempre a má da fita!
E a professora é má porque os miúdos com 7 anos ainda são infantis e não têm concentração – culpa dos pais que não lhes incutem responsabilidade e afirmam “não ter mão neles” [cono já ouvi a vários].. Se com 7 anos não têm mão neles, o que será destas crianças aos 16???
Continuando e voltando ao tema principal: eu, como professora estou a par da matéria que eles andam a dar.. Sei que eles precisam de tempo para pensar. E sei também que se eu me limitar a ditar-lhes as respostas [erro comum de muitos pais com pouco tempo], eles vão ter o trabalho certo mas ficam sem saber nada na mesma porque além de não terem ouvido nada na escola, foram à explicação buscar as respostas. E não é disso que precisam!
Eles precisam que a matéria lhes seja explicada em particular, porque na escola não estão com atenção! E, depois de perceber, precisam de tempo para pensar nas respostas! E se entretanto continuarem sem perceber, é porque estão a precisar que lhes seja explicado novamente, e as vezes que for preciso para que fiquem a PERCEBER. Porque juntar ‘p’ com ‘ai’ dá ‘pai’ em milésimos de segundo para nós (que sabemos ler há mais de 20 anos) mas se calhar demorará dois ou três minutos para uma crianças de 6 anos que está agora a aprender a ler! Porque ela terá de se lembrar que a letra ‘p’ é um ‘pê’, que ‘a+i= ai’ e, tudo junto forma a palavra ‘pai’.
É preciso deixar que a criança chegue lá sozinha.. Se não chegar é preciso voltar a explicar e dar outros exemplos, mas não a resposta! É neste ponto que muitos pais falham, e a maioria sem perceber que é uma falha gigante! Porque os miúdos habituam-se a não pensar!
Uma criança de 6 anos que diga, por exemplo, que ‘2+2=3’ terá de ter quem a ensine a pegar em 2 lápis numa mão e 2 noutra e contá-los. O adulto não pode simplesmente olhar para a conta e dizer “não vês que 2+2=4?”
Porque assim, ela fará tudo ao calhas e esperará pelo adulto para fazer a correção e deixar tudo da forma certa!
E é isto que tenho feito com as crianças de escola primária. O preço está definido ao mês e marco 1 hora (1,2 ou 3 vezes por semana). Se nessa hora os trabalhos não estiverem acabados, a explicação pode estender-se a hora e meia (às vezes 2 horas).
Porque eu sei e compreendo que o objetivo principal dos pais é os TPC irem feitos para casa! E o meu objetivo principal é que os TPC sejam feitos pelos próprios miúdos, nem que para isso eles demorem o dobro do tempo na explicação [sem pagar mais por isso].

Vergonhoso..

Vergonhoso é um adjetivo demasiado fraco para descrever o que se está a passar em Inglaterra!
Como é possível retirarem filhos aos pais só porque sim? Só porque a mãe não mostrou o seu bebé de 5 dias de vida à assistente social?
Antes de estar em vigor o sistema de agências de adopção privadas havia 10 mil crianças por ano retiradas aos pais.
Como se justifica que, após meterem agências privadas ao barulho, se passe de 10.000 para 125.000 crianças retiradas aos pais??? Não preciso de trabalhar na área para deduzir o negócio miserável que está a acontecer por trás destas retiradas!
Em Portugal retiram-se de menos.. Não nos faltam casos de crianças mortas por mães, pais, madrastas, padrastos, ou qualquer outro membro da família, onde é noticiado que estavam sinalizadas. Portanto, “estavam sinalizadas mas morreram nas mãos de monstros porque não foram retiradas”!
No Reino Unido retiram de mais. Não entendo e faz-me muita confusão como pode uma coisa destas acontecer aos olhos de toda a gente sem que se tome uma atitude!

Triste

Um pai australiano a viver na Síria colocou no Twitter uma foto do seu filho de 7 anos com uma cabeça humana nas mãos, com a legenda “É o meu menino!”

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O primeiro adjetivo que me vem à cabeça para classificar esta situação é triste!
Que educação está esta criança a receber? A educação de matar?
Como pode uma criança viver num meio destes? Um meio em que é fotografada num ato tão deplorável enquanto é aplaudida pelo próprio pai, que não só fotografa como ainda coloca numa rede social como se de uma medalha olímpica se tratasse?
Em que mundo vivemos?
Toda a gente sabe que o mundo não é minimamente perfeito. Mas daí até um ato destes vai uma distância gigante!
Há quem veja isto como um ato grotesco. De facto, tirar uma foto destas é pior que grotesco, não conheço sequer adjetivos maus o suficiente para o classificar. Mas, acima de tudo, é um ato triste se a observarmos do ponto de vista da criança de 7 anos que nela aparece como se estivesse a mostrar o excelente que tirou no teste de matemática ou a taça de melhor jogador de qualquer modalidade da escola.
Sim porque com 7 anos um filho deve ser motivo de orgulho se for bom aluno, bom jogador de futebol, bom nadador, whatever. Nunca por segurar uma cabeça seja ela de que ser vivo for, quanto mais de um ser humano..
Já vi muita coisa que me deixou estupefacta mas esta foto mete qualquer uma a um canto.
É um ato mau demais!