Necessidades e objetivos de explicações na escola primária

Aqui na vila havia quem ajudasse os miúdos a fazer os trabalhos de casa.. Pessoas com tempo disponível. Antigamente qualquer pessoa o podia fazer, hoje em dia as matérias mudaram e no 2º ano já começam com frações – sim, “bebés” de 7 anos [porque hoje em dia são bebés até aos 15 ou 20 anos, porque os pais assim os tratam] a dar frações..

Do outro lado temos os pais. Aqueles que não se lembram, os outros que não sabem e, o problema da maioria: não têm tempo para estar com o filho a fazer os trabalhos. Isto não é uma crítica, é uma realidade! Uma mãe que chega a casa às 19h vem cansada porque trabalhou o dia todo, tem de fazer o jantar, dar banho(s) e ainda os trabalhos do(s) filho(s)? Não é fácil! Nem que queira ser boa mãe e passar tempo de qualidade com o filho, não dá porque há trabalhos para fazer..
E porque é que o filho não os fez antes? Porque teve de brincar, ou porque diz que não sabe, que a professora não explicou, entre outras desculpas que eles inventam só para não dizerem “não me apeteceu”.
E porque é que não lhe apeteceu? Porque não esteve com atenção na escola e não sabe o que há-de fazer.. Ou porque ouve a mãe a criticar a professora por mandar TPC e então acha-se coitadinho porque a professora é que é sempre a má da fita!
E a professora é má porque os miúdos com 7 anos ainda são infantis e não têm concentração – culpa dos pais que não lhes incutem responsabilidade e afirmam “não ter mão neles” [cono já ouvi a vários].. Se com 7 anos não têm mão neles, o que será destas crianças aos 16???
Continuando e voltando ao tema principal: eu, como professora estou a par da matéria que eles andam a dar.. Sei que eles precisam de tempo para pensar. E sei também que se eu me limitar a ditar-lhes as respostas [erro comum de muitos pais com pouco tempo], eles vão ter o trabalho certo mas ficam sem saber nada na mesma porque além de não terem ouvido nada na escola, foram à explicação buscar as respostas. E não é disso que precisam!
Eles precisam que a matéria lhes seja explicada em particular, porque na escola não estão com atenção! E, depois de perceber, precisam de tempo para pensar nas respostas! E se entretanto continuarem sem perceber, é porque estão a precisar que lhes seja explicado novamente, e as vezes que for preciso para que fiquem a PERCEBER. Porque juntar ‘p’ com ‘ai’ dá ‘pai’ em milésimos de segundo para nós (que sabemos ler há mais de 20 anos) mas se calhar demorará dois ou três minutos para uma crianças de 6 anos que está agora a aprender a ler! Porque ela terá de se lembrar que a letra ‘p’ é um ‘pê’, que ‘a+i= ai’ e, tudo junto forma a palavra ‘pai’.
É preciso deixar que a criança chegue lá sozinha.. Se não chegar é preciso voltar a explicar e dar outros exemplos, mas não a resposta! É neste ponto que muitos pais falham, e a maioria sem perceber que é uma falha gigante! Porque os miúdos habituam-se a não pensar!
Uma criança de 6 anos que diga, por exemplo, que ‘2+2=3’ terá de ter quem a ensine a pegar em 2 lápis numa mão e 2 noutra e contá-los. O adulto não pode simplesmente olhar para a conta e dizer “não vês que 2+2=4?”
Porque assim, ela fará tudo ao calhas e esperará pelo adulto para fazer a correção e deixar tudo da forma certa!
E é isto que tenho feito com as crianças de escola primária. O preço está definido ao mês e marco 1 hora (1,2 ou 3 vezes por semana). Se nessa hora os trabalhos não estiverem acabados, a explicação pode estender-se a hora e meia (às vezes 2 horas).
Porque eu sei e compreendo que o objetivo principal dos pais é os TPC irem feitos para casa! E o meu objetivo principal é que os TPC sejam feitos pelos próprios miúdos, nem que para isso eles demorem o dobro do tempo na explicação [sem pagar mais por isso].

Anúncios

Sobre o novo desafio

Ora como disse no instagram, comecei um novo desafio.
Nada de especial para a maioria de vocês, para mim foi um passo largo.
Quando me meto em algo, gosto de saber que o vou fazer bem!
Como já aqui disse sou educadora de infância e professora de 1 ciclo só ensino básico (sim, isto tudo para dizer educadora de infância e professora primária. E dois cursos devido ao nosso querido bolonha, não pensem vocês que andei não sei quantos anos a tirar 2 cursos xD).
No ano passado, abri um centro de explicações conjunto com uma colega de português/ francês de 2 e 3 ciclo do ensino básico e ensino secundário (do 5 ao 12 ano). Acontece que a minha colega este ano está a exercer com horário mega preenchido.
Conclusão, este ano, sou eu quem vai dar explicação aos alunos de 6º ano.
Ah! Isso é que é um grande desafio?! Pensam vocês, que estão fora da área de ensino e não têm filhos pequenos (no vosso lugar provavelmente pensaria o mesmo) mas para mim é! Porque eu sei resolver testes de 6º ano, mas não é disso que as crianças precisam! Elas precisam de alguém que lhes explique como responder corretamente! Precisam de estratégias mentais para chegar à resposta pretendida!
Portanto, para explicar, tenho de pesquisar e preparar explicações antecipadamente, para que a explicação tenha sucesso e eles obtenham bons resultados!

Back to school education cartoon books seamless pattern backgrou

See ya 💎Smurfina

 

Não dar explicações a quem não precisa delas

image

Cada um sabe da sua vida.
Cada um deve fazer o que lhe parecer mais correto.
Os amigos só têm de apoiar [se forem realmente amigos é o que farão].
Os inimigos não têm nada a ver com a nossa vida. Os estúpidos que se juntem aos inimigos.

Por isso é que é aqui no blogue que eu mais desabafo e digo o que penso, o bom e o mau. É no blogue que fica o registo de tudo o que passo nos tratamentos. Para que possa servir a quem precisar. Para apoiar quem passa pela mesma situação que nós.
Quando falamos de infertilidade, por vezes, nem amigos nem família compreende pelo que passamos. Por mais que tentem ajudar, às vezes acabam por dificultar sem intenção.
Aqui no blogue, interagimos com outras pessoas que passam pelo mesmo que nós. E, na infertilidade, só quem passa é que sabe o que realmente se sente. Ler um “calma, vai correr bem” soa diferente se vier de quem está na mesma situação que nós..
No blogue criamos amizades que, apesar de poderem não passar de amizades virtuais, às vezes tornam-se mais importantes do que as amizades que fazemos pessoalmente.
Por isso prefiro cada vez mais dar explicações no blogue e expor cada vez menos para quem apenas conhece muito pouco de mim.