Já nasceu

Desculpem, estou em falha para convosco.

A nossa princesa já nasceu. Com 3,195kg e 48cm

Nasceu 10 dias antes da data prevista porque eu perdi líquido amniótico.

Graças a Deus foi tudo detetado a tempo, provocaram o parto, o corpo não reagiu por isso fizeram cesariana.

A nossa princesa nasceu saudável e agora somos 3. Temos a nossa família completa!

Gastámos algum bastante dinheiro e andámos 4 anos a lutar. Se valeu a pena?

Não há dúvida que sim!

Valeu a pena toda e cada viagem para Coimbra, Porto e Lisboa com mais ou menos esperança!

Valeu a pena cair e voltar a levantar!

Valeram a pena as 2 interrupções de tratamento, a não fecundação e o negativo para terminar com o positivo!

Valeram a pena o descolamento de placenta, as preocupações com alimentação por causa da toxoplasmose e a perda de líquido amniótico para ter agora a nossa guerreira nos nossos braços!

Só percebemos o quão fortes somos quando nos colocam à prova.

Agora, olhando para trás, percebemos que tanto nós como a nossa princesa fomos mesmo uns guerreiros. Nunca desistimos e agora estamos juntos, agora somos uma família de três!

Serve a nossa história para vos mostrar que é possível! Que não devem desistir.

Enquanto tiverem dinheiro [infelizmente sem dinheiro não se consegue nada quando falamos de infertilidade] não desistam! Acreditem que tudo vale mesmo a pena!

Como já tinha dito, este blogue deixa de fazer sentido porque a luta contra infertilidade acabou [graças a Deus] mas não o apago. A nossa história fica aqui publicada e o email deste blogue continua ativo.

Qualquer coisa de que precisem não hesitem. Eu continuo deste lado para vos ler e ajudar no que puder!

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Dinheiro traz felicidade?

aqui escrevi sobre isso, em 2014. Agora sinto-o mais que nunca!
Há uns anos diria que dinheiro nada tem a ver com felicidade. Sempre detestei quem avalia os outros pelo conteúdo da sua carteira, e sobre esse tipo de pessoas a minha opinião mantém-se!
Mas neste momento tenho de dizer que sim: o dinheiro pode trazer felicidade! No nosso caso podia não trazer na mesma, mas aumentaria em muito o nível de esperança.
O nosso ponto de situação é: 1 único embrião, menos bom do que o que foi transferido. Não podemos voltar ao hospital público. Poder até podemos, para a lista de espera do hospital de Santo António no Porto – o único que trabalha com óvulos doados e tem uma lista de espera mínima de 4 anos, se entretanto não tiver aumentado.
Claro que a nossa esperança é mínima. Se não der com o embrião que nos resta, o que vamos fazer? Tentar ser felizes sem filhos? Não sei se vamos conseguir e tenho medo de pensar nessa hipótese.
Há três anos que a minha vida está em standby, eu não posso procurar emprego porque depois não terei como justificar as faltas para tratamentos. E não há hipótese de dizer a verdade em entrevistas de trabalho porque aí é que não me contratam de certeza!
Se tivesse dinheiro, estava cheia de esperanças.. Porque mesmo que não resultasse com o embrião que temos em laboratório faríamos outro tratamento, e mais outro, e os que fosse preciso!
Assim não é fácil, são tratamentos demasiado dispendiosos. Não nos podemos “dar ao luxo” de fazer vários e ficar sem pé-de-meia. Porque depois até poderia correr bem mas tínhamos o filho e não tínhamos condições económicas para ele! Fome não passaria mas não era nem um pouco o que idealizámos. Não é só para tratamentos que poupamos dinheiro – é para tratamentos e para um filho, para o futuro!
Não temos ido de férias porque o Smurf tem apenas 22 dias e 10 deles já estão guardados para outro trabalho. Dos restantes 12 vai tirando dias soltos para me acompanhar a consultas e tem sempre 1 semana guardada. Semana essa que queria tirar após a transferência e, a meu pedido não tirou: guardou para o caso de dar certo e poder haver complicações – preciso mais dele se tiver uma gravidez de risco! – e mesmo que resultasse e não fosse de risco já as poderia tirar em qualquer altura, já não precisava de as guardar para nenhuma situação específica!
E é isto.. Este standby constante, este guardar férias, mentir [algo que abomino] para não dar explicações!
Parecendo que não, tudo isto pesa quando o resultado é negativo. Se não tentássemos sentir-nos-íamos culpados. Assim, levámos um grande murro no estômago! Sentimos que não tem valido a pena. É certo que a esperança é e será sempre a última a morrer. A esperança não morreu, mais enfraqueceu bastante com todas estas interrupções e negativos!
Sinto que estamos a deixar de viver para nada!
Fomos à luta, pensámos que ‘afinal valeu a pena’ passar pelo público e não gastar dinheiro em vão em tratamentos com os meus óvulos na privada. Chegámos com esperança a 200%: o problema está nos meus óvulos e, como não os vamos utilizar, tudo vai correr bem! Só que não.. e mesmo sem sangue, o beta bem negativo e a esperança diminuiu mais do nunca! Ainda temos 1 embrião.. mas já só temos 1 embrião! Era impossível que a esperança não diminuísse.

Um bebé especial para mim

Desejar tanto um filho e lidar com bebés é ótimo mas nem sempre é fácil.
Às vezes dou por mim a pensar que um deles já podia ser meu. Só que não, há o Kallman pelo meio.
Entre os bebés com que lido há um especial para mim. Filho de uns amigos do Smurf.
Tem 1 ano e meio e há umas semanas começou a dizer o meu nome (no seu dialeto mas o meu nome).
Quando chego corre para o meu colo.
Não me pode ver sentada no chão, senta-se de imediato nas minhas pernas.
Quando saio fica a chorar (e isso parte-me o coração).
Cada vez que lhe pego, que brinco com ele, penso no quanto gostava de já ser mãe. No quanto gostava de ir buscar este bebé para brincar com o meu.
É um bebé que não me diz nada e ao mesmo tempo diz-me tanto.
Todas as conquistas deste bebé são também especiais para mim.
Gostava de ver um filho meu começar a andar, a falar, a brincar..
E quanto mais penso nisso, mais triste me sinto por saber que ter um filho não é natural para mim. Ter um filho não depende só da minha vontade.
E penso muitas vezes que se já gosto deste bebé da forma que gosto, nem imagino o quão feliz me vou sentir quando for mãe.
Gostava tanto de não ter este maldito síndrome e poder ter filhos da mesma forma natural que a maioria das pessoas.
Quanto mais o tempo passa, mais triste me sinto com esta maldita condição.
Ser infértil custa mesmo. E por mais que as pessoas queiram e tentem ajudar só um médico nos pode animar. Cada vez tenho mais a certeza de que só me vou sentir realmente feliz quando o médico disser “aqui está o seu bebé”. Até lá, vai faltar sempre qualquer coisa.

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O Dinheiro e a Felicidade

Sempre acreditei que “Dinheiro não traz felicidade”

Agora começo a concordar com frases como esta, em cima

Se eu preferia ser um milionário infeliz? Nada disso

Nem sequer desejo ser rica

Então porque falar de dinheiro?

Porque relacioná-lo com a felicidade?

É simples

Quero muito ser mãe!

E tenho um problema hormonal

Desejo um filho biológico

Mas preciso de ajuda médica

Se os tratamentos no público não derem resultado

Se, após as 3 tentativas, não houver gravidez

Terá de haver dinheiro para tentar numa clínica

Porque sem tentativas, não haverá filho

E sem filho não haverá a mesma felicidade

Não seria totalmente infeliz

Mas aumentaria bastante a minha felicidade!

Enquanto as clínicas de fertilidade forem tão caras

E o número de tentativas no público tão reduzido

A imagem abaixo continuará a fazer todo o sentido

Para mim e acho que

Para todos os casais com problemas de fertilidade

E quem deseja um filho biológico e um adotado?

Após milhares gastos em tratamentos

Haverá condições suficientes para poder adotar?

Quanto mais penso no assunto maior é a revolta

 

Depois disto, será que alguém discorda quando digo que o dinheiro traz mesmo ajuda MUITO na nossa felicidade?