A minha primeira vez

.. como grávida no atendimento de uma loja, não pensem que vos vou contar nada íntimo 😜
Foi ontem, cheguei a uma loja da MEO, daquelas  que está sempre cheia, não pelos ótimos serviços mas sim pela lentidão dos funcionários!
Epah e estar ali de pé não estava a ser nada confortável (e, confesso, estava com um bocado de pressa). Ainda esperámos um pouco, até passarem três amigas das nossas mães e dizerem:
– Bolas, esta loja é sempre a mesma coisa, tu estás grávida por isso aproveita se não nunca mais daqui sais.
Vai daí que a minha prima deu o passo. Aproximou-se do rapaz do balcão e perguntou:
– A minha prima está grávida, tem prioridade não tem?
Ao que o rapaz respondeu:
– Tem sim senhor, fiquem já aqui.
E assim fizemos.
Estava um senhor na fila que não percebeu bem da situação, foi ao pé de nós e perguntou ao rapaz:
– Olhe desculpe, o atendimento não é pela ordem das senhas?
Ao que o rapaz respondeu:
– Sim, mas a senhora tem prioridade porque está grávida – virou-se para nós a rir e disse – Ai como eu adoro dizer isto!
Hahahahahahahaha 😂
E sim, tenho de começar a andar com o diário da grávida porque, se me tivessem pedido comprovativo de gravidez, o único que tinha era a barriga que ainda pode ser confundida com gases 😛
Mas sim, a barriga já se começa mesmo a notar 😃 hehehe

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Outro..

Além da minha prima estar grávida do/a meu/minha afilhado/a, o irmão e cunhada dela anunciaram hoje que também vão ser pais..
Ou seja, tenho 2 primos direitos e uma prima em segundo grau à espera de serem pais [a de segundo grau de segunda viagem] e nós à espera :((
  

Em dia de Natal outra gravidez

Agora da prima direita que não queria contar da outra prima.
Pois é, acabamos de trocar as prendas e ela diz “agora uma surpresa. Para o ano, se tudo correr bem, somos mais um”.
E eu só tive vontade de chorar. Ya, fiquei feliz por ela mas ela nem sequer estava a tentar.. Estava naquela de “já estou quase no limite da idade e se vier ok” (e eu, até hoje, pensava que ela nem sequer queria ter filhos). E de repente sai esta bomba..
Logo a seguir vira-se para mim e diz “e tu és a madrinha”. E aí não aguentei e chorei. Aproveitei esse momento para saírem às lágrimas, que já estavam à beira dos olhos desde que ela tinha feito o anúncio. 
E pronto, a minha mãe agora não fala noutra coisa..
Está só de um mês e ainda é segredo. E eu espero que corra tudo bem e que seja madrinha no verão..
Mas, no fundo, custa um bocadinho claro que custa.. Vai ser uma gravidez que vou acompanhar de perto..

E quando a família evita o assunto?

Descobri à uns dias que tenho uma prima grávida de segunda viagem..
E porque é que só descobri à uns dias? Porque a minha prima direita não me queria contar.. Não queria tocar no assunto.. Eu até a percebo, no lugar dela se calhar fazia o mesmo. No entanto, estamos a falar de uma prima.. Mais cedo ou mais tarde eu ia ter que saber.
Depois há outro casal, amigo da prima que não toca no assunto, com quem me cruzei no S Jeronino em Coimbra [eu em consulta, eles em dia de punção]. Casal que, neste momento, espera gémeos.. E que a minha prima também não me queria contar.
Lá lhe expliquei que relativamente ao casal amigo é uma ótima notícia porque é sempre mais uma esperança. E quanto à prima era inevitável eu saber e fiquei contente com a notícia. 
Agora aqui entre nós, o casal amigo sim – ótima notícia em todos os sentidos!
A prima pronto.. É mais uma grávida, ainda por cima de segunda viagem, ótimo para ela mas aquele aperto para nós.. Aquele sentimento de falha porque ela já vai no segundo e nós ainda nem conseguimos o primeiro. Mas aquela notícia que tem de ser dada [porque é prima].
Custa sempre, mas é esta a nossa realidade 😦 Juntos os dois, a tentar ser três!

  

Até parece anedota :(

– Então, a tua vizinha está grávida?
– Pois, a vizinha de cima não é? Fulana X?
– Ai essa agora vive no vosso prédio? Eu estava a falar da tua vizinha do centro de explicações, a da loja ao lado..
– Ah ok. Então tenho duas vizinhas grávidas!
Estou, literalmente, rodeada de grávidas 😦

  

O mundo virtual da infertilidade

Isto a propósito do post da Hope sobre a nossa [mulheres na luta contra a infertilidade] reação à notícia do “estou grávida” de mulheres que nos são próximas.
Confesso que não compreendia bem a ideia dos fóruns de infertilidade até começar a passar pelo mesmo.
Ok, eu já sei do meu problema desde os 17 mas (como já o disse aqui), na altura, pensava que quando chegasse o momento adotava e pronto. Nunca tinha colocado a ideia da Reprodução Medicamente Assistida até começar a planear um futuro com o Smurf. Aliás, eu afirmava que não queria filhos da medicina. Ou tinha um filho naturalmente ou adotava! Entretanto desperta o relógio biológico e a vontade de ser mãe biológica é mais forte do que tudo.
Mas adiante que o tema hoje é outro,  os blogues e os fóruns de infertilidade. Eu olhava para eles como um conjunto de idosas na sala de espera do hospital – cada mulher a lamentar-se mais que a outra.
Entretanto quis criar um blogue e “aproveitei” para falar sobre o meu problema e a minha luta para ser mãe através de RMA e foi o melhor que podia ter feito.
Graças ao blogue percebi que entre blogues e fóruns nós falamos das situações da forma que a sentimos. Falamos sobre o que está mal sim, mas acima de tudo falamos do que está “bem”, vamos falando de todo o nosso processo e apoiamo-nos umas às outras. Sem lamechices, dando força umas às outras.
Pelo meio acabamos por dizer coisas que aos olhos das pessoas “normais” parece maldoso da nossa parte mas, na nossa realidade, é a nossa defesa para lidar com a nossa infertilidade, como por exemplo “evito sair com amigas grávidas” ou como eu disse “Tenho uma prima grávida e ainda nem a felicitei. Não é por mal mas ainda não calhou encontrá-la e, sinceramente, também não faço por isso. Já podia ter telefonado ou mandado uma mensagem mas custa-me. E só a vou felicitar um dia que esbarre com ela..”
E é muito bom ter alguém do outro lado que compreende que nos estamos a defender e não pretendemos atacar ninguém ao ignorarmos a gravidez de uma pessoa próxima.
No fundo, não é muito normal ficar triste quando recebemos a notícia da gravidez de alguém próximo, mas a verdade é que para nós é muito triste. Porque nós andamos a lutar por isso e elas deixam a pílula e pronto, engravidam. Por outro lado, se deixamos transparecer que não ficámos contentes ainda se sentem ofendidas (parece que lhes estamos a desejar mal).

E pronto. É por estas e por outras que cada vez falo menos sobre o assunto pessoalmente e falo mais aqui, em blogues e fóruns de infertilidade, com pessoas que vêm a realidade do mesmo ponto de vista que eu..
E é este o mundo em que vivemos. Um mundo onde infelizmente quem lida com a infertilidade só pode desabafar a sério com quem está a passar pelo mesmo..
Porque se desabafamos com quem não está a passar pelo mesmo acabamos por ouvir o que não queremos ou por dizer algo que faz de nós pessoas estúpidas e insensíveis (aos olhos das pessoas “normais”).

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