Reações dos miúdos

Estou mega curiosa com a reação dos miúdos. Aliás, estou cheia de vontade que percebam que a barriga está maior, mesmo que a reação seja sobre ‘estar gorda’.
Os meninos com quem trabalho agora, na escola, foram o primeiro grupo com quem trabalhei, há 2 anos, no jardim de infância. Por estarmos numa vila são crianças que vejo e com quem falo frequentemente [e também com quem estou diariamente devido a ir buscar outros miúdos para as explicações].
São assim um grupinho especial – eram os ‘meus finalistas’ e o grupo dos 4 anos. E todos [ou 95%] ficavam no jardim de infância até bastante tarde [eu ficava até fechar, às 19h e, a maioria deles não ia para casa antes das 18h/18h30].
Mas a minha maior curiosidade prende-se mesmo com o facto de alguns terem irmãos bebés e, por isso, mães que estiveram grávidas há relativamente pouco tempo.. Vamos esperar para ver se há comentários ou se sou eu que falo no assunto por qualquer razão.

Professoa Grávida.png

Imagem tirada da net. A minha barriga ainda está bastante mais pequena.

Ontem contei a uma pessoa em frente a duas miúdas das explicações. As reações foram perguntar pelo nome que lhe vamos dar [algo que falarei aqui mais tarde]. Como o nome escolhido para menina é menos comum, uma das miúdas ainda me perguntou:
– Se for uma menina, como é que vai saber escrever o nome na escola?
Até parece que é algum nome esquisito como as filhas da Luciana Abreu.. Mas não, nada a ver 😉 O de menino é mais comum mas maior e, por isso, até será mais difícil de escrever na escola 😛

Anúncios

Reações da família

Foi tudo apanhado de surpresa. Principalmente a minha família, onde há o hábito de se saber tudo sobre todos os seus elementos. Pois que ninguém esperava a notícia da nossa gravidez porque ninguém imaginava que tínhamos ido buscar o último embrião ao laboratório. A família dele ainda mais longe estava, uma vez que só os pais sabem apenas que eu tenho um problema hormonal e precisamos de tratamentos de fertilidade [só isto. não sabem qual é o problema nem qual o tipo de tratamento].
Imaginámos que a minha mãe ia ficar eufórica e a minha sogra apática. Pois que decidiram inverter os papéis. A minha mãe ficou em choque e perguntou “estás grávida? Como é que isso aconteceu?” e a sogra desatou aos gritos e aos saltos e só perguntou [2 ou 3 vezes] se era mesmo verdade. Da mesma forma que o meu tio [padrasto é nome feio] e sogro: o meu tio é uma pessoa mais eufórica do que o meu sogro, no entanto o meu sogro até saltou e o meu tio ficou meio incrédulo, soube através de uma chupeta, olhou e disse “Então o que foi? É uma chupeta..” Só depois olhou para mim e associou, dando os parabéns e perguntando “mas como?”.
O resto da família ficou contente. Da minha parte mais incrédulos do que da parte do Smurf. Toda a minha família sabe tudo sobre o meu problema. Da parte dele só sabiam os pais, o que levou ao resto da família não estranhar a notícia [‘resto’ que até agora ainda são apenas os avós e uma tia direita, porque ele quer esperar até às 16 semanas, ou até sabermos o sexo, ainda não percebi muito bem o que espera realmente].

chupeta

comprámos uma chupeta destas para dar a notícia. assim, numa bola e com elástico para a árvore de natal

Quando o corpo não responde. O sonho é adiado

Na ecografia a dtra avisou logo “isto não está famoso…”
Voltei para a sala de espera fazendo contas mentalmente. Aumento de dose = comprar mais medicação = mais 95€ (no mínimo).
Já estava no hospital desde as 8h, tinha feito as análises às 8h20. A ecografia foi apenas às 12h. Passadas duas horas, ainda sem nenhum café e já extremamente impaciente, sou chamada.
Despreocupada mas ansiosa para saber qual a dose para a qual iria aumentar a medicação, entro no consultório.
Diz a dtra “o seu corpo não está a responder por isso vamos adiar 3 meses está bem? Leva aqui a receita do estradiol para fazer nestes três meses e depois volta cá para tentarmos novamente. Passe ali na secretaria para fazer as contas e marcar nova consulta”
Fiquei sem reação. E pensei “passar na secretaria? E mandarem-me embora para poder chorar a notícia à vontade, não?”
Antes de entrar na secretaria limpei as lágrimas, tentando que eles esperassem um pouco. Bati à porta. Entrei.
Assim que comecei a falar não deu mais. Elas saíram sozinhas!
A secretária olhou para mim e perguntou o que se passava.
Quando falei no adiamento ela tentou ajudar “Então e agora? São só 3 meses. Passa num instante. E você ainda é uma bebezinha. Não esteja assim”
Eu sabia tudo o que ela estava a dizer. Mas, no momento de receber a notícia tinha de ser. Aquelas lágrimas tinham de sair.

Saí e liguei ao Smurf (que estava a trabalhar). Eu chorosa a contar-lhe e ele respondeu “Pronto. Deixa lá. Antes parar agora do que irmos até ao fim do tratamento e dar negativo”
Para já porque se não fosse o meu síndrome, ainda não pensávamos em filhos. Ainda não temos casa própria. Eu não tenho emprego fixo. Começar já foi prevenção, para o caso de termos de tentar vários anos… Já estávamos mentalizados que, resultar à primeira, seria quase milagre.
E ele tinha razão, eu é que naquele momento não via nada de positivo.
De facto, entre ir até ao fim e dar negativo ou ser interrompido, é menos mau ser interrompido.
Assim foi só 1 semana de esperanças. Não andei ansiosa com um embrião no útero. Não precisei fazer o teste e esperar para saber que não tinha resultado…

Outra coisa que também me disseram, para animar, foi “Tem calma. Agora, mesmo nestes três meses, tu e o Smurf vão tentando em casa, todos os dias, quem sabe se não terão uma surpresa”
Eu sei que isto foi dito com a melhores das intenções mas a minha vontade foi responder “Não digas isso porque é impossível! Eu não produzo as hormonas necessárias. Eu nem sequer menstruo sem qualquer medicação/pílula” Mas eu sei que foi com a melhor das intenções.
Por isso, limitei-me a responder “Oh, com o problema que eu tenho as coisas não são assim.”
E virei a conversa para o síndrome de Kalman. Depois para assuntos que nada tinham a ver nem com infertilidade, nem com síndrome de Kalman, nem com nada do género.
Mas não queria vir logo para casa. Não queria chegar com olhos de choro. Fui para o Dolce Vita, almocei e dei umas voltas para espairecer a cabeça.

Quando voltei para casa, a contar à mãe dele desvalorizei completamente. “Oh, não deu paciência. Ainda sou nova. Daqui a 3 meses volto a tentar. Nós começámos nestes tratamentos tão cedo porque já sabíamos que não ia resultar logo à primeira”
E a mãe do Smurf perguntou “Mas vocês… É mesmo preciso isso?” [note-se que ela não sabe que andamos a fazer FIV. Sabe que eu tenho um problema hormonal e que andamos a fazer tratamentos para engravidar. Não sabe qualquer tipo de pormenores. Preferimos não contar para não preocupar]. E eu aí, desvalorizando mas não mentido, respondi “É mesmo preciso sim. Com o problema que eu tenho tem mesmo de ser.”
“Mas disseram-te lá, agora?” E eu “Não, disseram-me logo aos 17 anos, por isso é que já andamos a tentar. Porque podemos ter de tentar alguns anos. Assim, começámos comigo ainda nova”
Mas, a mãe dele, sabe de casos que tentaram vários anos. Não havendo nenhum outro caso na família nunca teve necessidade de se informar sobre o assunto. Portanto, pensa que com a idade, o corpo é mais propício a engravidar. E eu também nunca lhe disse que era exatamente o oposto… Disse apenas “Pois…”

Entretanto, para não matar a cabeça com isto, tentei focar-me nos outros 1001 problemas que, já antes, me tinham ocupado o tempo e a cabeça.
À noite, na cama, custa um bocadinho recordar que comecei e nem cheguei ao fim.
Passam perguntas do tipo “Mas porque é que o corpo não respondeu? Se não respondeu agora, na primeira tentativa, com 24 anos, será que vai responder na próxima? E se volta a não responder?”
De manhã, ponho a máscara e “Está tudo bem. Sou tão nova. Não há problema nenhum”

Há quem deixe apenas os sonhos na cama. Eu deixo também os medos! De manhã, ponho a máscara. Escondo a desilusão do adiamento.
A desilusão da primeira tentativa. Aquela em que o meu corpo nem sequer respondeu para deixar que terminasse.

E vamos continuando a viver.
Juntos os dois,
Com o desejo e o sonho de um dia sermos três